A
GRANDE E VELHA MENTIRA
1 Porque não quero, irmãos, que voc ês ignorem
o fato de que todos os nossos antepassados estiveram sob a nuvem
e todos passaram pelo mar.
2 Em Moisés, todos eles foram batizados na nuvem e no mar.
3 Todos comeram do mesmo alimento espiritual
4 e beberam da mesma bebida espiritual; pois bebiam da rocha espiritual
que os acompanhava, e essa rocha era Cristo.
5 Contudo, Deus não se agradou da maioria deles; por este
motivo os seus corpos ficaram espalhados no deserto.
6 Estas coisas ocorreram como exemplos* para nós, para
que não cobicemos coisas más, como eles.
7 Não sejam idólatras, como alguns deles, conforme
está escrito: "O povo se assentou para comer e beber,
e levantou-se para se entregar às farras".*
8 Não pratiquemos imoralidade, como alguns deles -- e num
só dia morreram vinte e tr ês mil.
9 Não devemos p ôr o Senhor à prova, como
alguns deles -- e foram mortos por serpentes.
10 E não murmurem, como alguns deles -- e foram mortos
pelo anjo destruidor.
11 Estas coisas aconteceram a eles como exemplos e foram escritas
como advert ência para nós, sobre quem tem chegado
o fim dos tempos.
12 Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não
caia!
13 Não sobreveio tentação a voc ês
que não fosse comum aos homens. E Deus é fiel; ele
não permitirá que voc ês sejam tentados além
do que podem suportar. Mas, quando forem tentados, ele lhes providenciará
um escape, para que o possam suportar.
Cada ato de pecado, por menor
que seja, é uma semente na nossa alma. No começo
é tão pequenininho, mas depois perdemos o controle.
João e Antônio são amigos e durante as férias
gostam de caçar. No ano passado eles contrataram os serviços
de um piloto que os levou ao acampamento onde efetuam a caçada.
Quando o piloto voltou depois de duas semanas, descobriu que havia
um problema. Os dois caçadores haviam caçado muito
e o avião não estava equipado para carregar tanto
peso assim. Com toda educação e diplomacia, o piloto
explicou a situação: O avião não pode
carregar todo este peso e se tentarmos levantar vôo, nós
não ultrapassaremos aquela montanha lá no final
do lago.
– Se você pensa que vamos voltar para casa, sem a
nossa caça está muito enganado – disse o João.
Não viemos aqui e ao voltar para casa, contar histórias
de pescador, sem nada em mãos para provar que verdadeiramente
somos bons caçadores!
– Eu acho que poderia fazer duas viagens, mas é claro
que isso vai lhes custar mais caro, disse o piloto.
Ah! Disse assustado o Antônio. Não podemos de maneira
nenhuma pagar uma viagem extra. Você vai colocar toda esta
caça no avião! “Se vira meu chapa”.
– Não posso fazer isso – o piloto respondeu.
Bom, depois de muita discussão, o piloto, mesmo contrariado,
concordou em levar os dois caçadores e a sua caça
em uma única viagem. Depois que levantou vôo, desesperado,
o piloto lutava para alcançar a altitude necessária
para seguirem vôo, mas não conseguiu. Conforme havia
previsto, não ultrapassaram a montanha.
Rastejando para fora dos destroços, Antônio enxugou
o sangue do rosto, olhou à volta meio tonto, e perguntou:
Você tem idéias de onde estamos?
– Acho que estamos a cerca de 200 metros do lugar onde batemos
o ano passado, respondeu o João.
A moral desta história está no fato de que todos
nós nos identificamos com ela. Assim como João e
Antônio, tomamos as mesmas decisões malucas repetidas
vezes, apenas para experimentar o mesmo resultado frustrante.
Meus irmãos, se não aprendermos com o passado, estaremos
destinados a repetir os mesmos erros de sempre, novamente. Para
tanto, leiamos I Coríntios 10:1-13.
O texto que lemos fala da peregrinação da nação
de Israel. Paulo está nos ensinando que devemos aprender
com os erros do passado. Embora os israelitas tivessem experimentado
a manifestação da presença de Deus em seu
meio, mesmo assim eles caíram na tentação.
Eles adoraram os falsos deuses. Eles participaram de imoralidade
sexual e tentaram a Deus (v.11). Esta é grande e
velha mentira do tentador. Ele tem usado esta mesma mentira por
séculos e séculos, e tem obtido muitas vitórias.
Ele se aproxima a você e de mim com o seguinte discurso:
Você não é uma pessoa ruim. Na verdade, quando
comparado com a maioria das pessoas, você é excepcionalmente
bom. Em circunstâncias normais você nunca pensaria
numa coisa dessas, mas esta é uma situação
incomum. Além disso, na bíblia você encontra
muitos homens e mulheres piedosos que fizeram coisas que normalmente
nunca fariam.
Por exemplo, Abraão, mentiu à Faraó, rei
do Egito, que Sara, sua esposa, era sua irmã. Outro exemplo
é o de Raabe, a prostituta. Embora a bíblia proíba
a mentira, ela mentiu ao rei de Jericó em relação
aos espias que entraram na cidade. Tudo isso prova que circunstâncias
excepcionais exigem reações fora do comum.
Com freqüência o enganador cochicha aos nossos ouvidos
por meio da música que ouvimos, dos livros que lemos, dos
filmes que assistimos, ou dos sites que navegamos. Quando pensamos
que estamos apenas nos divertindo, seu poder persuasivo ataca
o nosso pensamento e apetite.
Irmãos, quando Satanás nos tenta, não vem
em forma de uma serpente enrolada. Ele não vem abanando
uma bandeira vermelha. Simplesmente quando ele surge, ele vem
sorrateiramente.
O Pastor Edward Luz nos relatou a triste história de um
tesoureiro de uma Junta Missionária em Belo Horizonte que
desviou o dinheiro dos missionários. Quando fiquei sabendo
desta história, fiquei chocado no primeiro momento. Mas
depois de ter pensado, imaginei que provavelmente este tesoureiro
fosse um homem sincero. Nem melhor e nem pior do que eu e você.
Em algum momento do caminho entrou por um desvio errado. É
possível que no começo lhe parecesse insignificante.
Talvez tivesse aumentado o seu relatório de despesas ou
omitido a entrada. Ou talvez ainda tivesse precisado de dinheiro
e tenha “tomado emprestado” dos fundos da missão
até o dia do pagamento. Pretendia devolver, mas, não
se sabe por que, nunca o fez. Depois de algum tempo tornou-se
mais fácil apenas fazer de conta que nunca havia acontecido.
Entendo eu, meus irmãos, que se Satanás o tentasse
a desviar o dinheiro dos missionários na soma tão
grande que desviou (e não consigo precisar quanto, mas
sei que era muito dinheiro), se o tentasse a desviar de uma só
vez aquele montante, não teria sucumbido. Sem dúvida
ele se considerava um homem honesto, mas Satanás o tentou
com pequenas quantias, com quantias “insignificantes”
– vinte reais aqui, cinqüenta reais ali. E com toda
probabilidade ele se convenceu de que era apenas um empréstimo;
certamente devolveria.
Sem dúvida houve um momento em que ele se comprometeu com
algo aparentemente insignificante. Em algum ponto do caminho ele
abriu o seu coração para o inimigo e, antes de perceber,
este já havia tomado conta dele. Cada ato de pecado, por
menor que seja, é uma semente na nossa alma. No começo
é tão pequenininho, mas depois perdemos o controle.
A defesa do crente contra as velhas mentiras do enganador é
a Palavra de Deus.
O que causa a queda de um crente consagrado
na grande e velha mentira? Quero apontar três principais
motivos:
I. O motivo primeiro, de muitos fracassos espirituais é
a desobediência nas pequenas coisas (vv. 1-6).
Cada ato de desobediência, por menor que seja, é
como uma fissura no muro da alma da pessoa. Através de
cada pequena rachadura, o ácido do mal se infiltra e começa
a corroer os fundamentos do seu caráter espiritual.
Da mesma forma, cada ato de obediência, por menor que seja,
reforça os fundamentos do caráter espiritual da
pessoa. Dia após dia o crente obediente, é fortalecido
“com poder mediante o seu Espírito no homem interior
(Efésios 3:16)”.
A pessoa que quer viver uma vida de vitória não
anda relaxadamente, esperando um milagre no momento da crise.
Antes, ela pratica a disciplina espiritual. A disciplina espiritual
é como um caminho que leva uma pessoa à presença
de Deus.
Quando uma tentação potencialmente irresistível
surge, a pessoa está preparada por ter sido obediente diante
de tentações aparentemente insignificantes, e agora
é capaz de obedecer no momento da crise.
Que “coisinhas” você tem permitido entrar sorrateiramente
em sua vida? Cada ato de pecado, por menor que seja, é
uma semente na nossa alma. No começo é tão
pequenininho, mas depois perdemos o controle. A única defesa
do crente contra as velhas mentiras do enganador, é a Palavra
de Deus.
II. O segundo motivo de muitos fracassos espirituais é
a falta de uma disciplina espiritual (vv. 7-12).
Irmãos, o alvo final do tentador não é simplesmente
fazer-nos desobedecer a Deus, mas fazer-nos desacreditar do caráter
de Deus.
A. W. Tozer, diz com muita sabedoria e propriedade que não
devemos buscar orientação a respeito do que Deus
já proibiu. Nesses casos, não é de orientação
que precisamos, mas de obediência.
Por que, você deve estar imaginando, algumas pessoas sempre
vencem a tentação, enquanto outras sucumbem repentinamente?
Sem dúvida existem vários motivos, mas no alto da
lista está a disciplina espiritual. É por isso que
não devemos abaixar a guarda quando o assunto é
disciplina espiritual.
A disciplina espiritual a que me refiro inclui, sem limitar-se,
esses itens:
1. Uma vida de oração perseverante (Romanos 12:12).
Não é só orar quando a necessidade bate à
porta, não.
2. Leitura diária da bíblia e memorização
de versículos. Hoje de manhã o Gute perguntou
sobre versículos memorizados.
3. Participação dos cultos. Joseph Hall diz
que: “As três grandes forças na história
do mundo são: a Igreja, a observância do dia do Senhor
e o culto doméstico”. Já imaginou se Márcio
e Cleonice estivessem assistindo o Faustão domingo passado?
4. Obediência em todas as coisas, grandes e pequenas.
Cada ato de obediência, por menor que seja, reforça
os fundamentos do caráter espiritual da pessoa.
Essa disciplina espiritual não torna a pessoa espiritualmente
forte por si mesma, mas ela revela o Poder Transformador do Espírito
Santo. A disciplina é como um caminho que leva a pessoa
à presença de Deus. Cada ato de pecado, por menor
que seja, é uma semente na nossa alma.
III. O terceiro motivo de muitos fracassos espirituais é
o fato de ignorar que a porta de escape é larga e fácil
nos primeiros momentos da tentação (13).
Sem dúvida ninguém é imune à tentação.
Embora Deus tenha prometido uma saída para escapar de todas
as vezes que somos tentados, é responsabilidade minha e
sua procurar esta saída tão logo o tentador sussurre
as suas sugestões enganadoras.
Através da história, homens e mulheres de Deus tornaram-se
presas do inimigo. Infelizmente, o que foi feito está feito.
Não importa o quanto gostaríamos, não podemos
desfazer o passado. Contudo, podemos aprender com ele. Podemos
determinar que pela graça de Deus, não vamos pensar
de nós mesmos mais do que deveríamos. Em lugar disso,
crer que Deus é fiel, e que não nos deixará
sermos tentados acima do que podemos resistir (v. 13).
A experiência tem me ensinado que a porta de escape é
larga e fácil de encontrar nos primeiros momentos da tentação.
A única hora de impedir a tentação é
no momento exato do reconhecimento. Se alguém começa
a argumentar, a tentação quase sempre ganha a parada.
A história de dois homens, amigos desde infância,
que foram chamados para o exército americano para servir
na Guerra de Vietnã. Passaram por muitas experiências
horríveis, combates infernais, até que um dia, depois
de uma dura batalha, um deles chegou na base sozinho. Perguntou
para todos se alguém havia visto seu amigo. Finalmente
um soldado informou-lhe de que a última vez que o vira
foi no meio da batalha, quase morto por uma bala fatal. Na hora,
o amigo resolveu voltar e tentar salvá-lo. Todos procuraram
impedi-lo, porque não havia chance dele sobreviver. Mas
ele foi. Com bombas explodindo por todos os lados e balas cantando
pelo ar, finalmente encontrou seu companheiro.
Horas depois, totalmente exausto, o soldado chegou na base carregando
seu companheiro nos braços, morto. Alguém com ironia
disse: “Não falamos que não adiantava nada?
Já está morto, e você arriscou sua vida por
nada”. Você está enganado – respondeu
o amigo. As últimas palavras que ele falou antes de morrer
foram: Eu sabia que você viria.
Infelizmente, fidelidade não está mais na moda,
nem na família, nem na igreja. Crentes que não são
diferentes dos não crentes: Negócios, murmurações,
namoro...
Creio que se Deus colocasse um anúncio no boletim da igreja,
seria muito simples: “Procura-se Crentes”. Crentes
dispostos a fugir da velha mentira e com os quais ainda hoje Deus
pode contar. "Eu sabia que você resistiria. Eu sabia
que você viria".
Obedeça nas pequenas coisas, cultive uma disciplina espiritual
da qual não abaixe a guarda, e fuja no primeiro momento
que tome consciência de que está sendo tentado.
Pr.Cacuto
[topo]