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A BÊNÇAO
DA DOUTRINA DA ELEIÇÃO NA VIDA DO CRENTE
(Efésios 1:3-6).
3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso
Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos
espirituais nas regiões celestiais em Cristo.
4 Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do
mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença.
5 Em amor nos* predestinou para sermos adotados como filhos por
meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade,
6 para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente
no Amado. (NVI)
Somos salvos para o louvor e glória
da graça de Deus.
Os
versos 3-14 formam um hino de louvor. Este louvor envolve
as três Pessoas da Trindade. O verso 3 introduz esta unidade.
Esta unidade nos ensina como Deus, antes de haver mundo, entrou
em conselho com a santíssima Trindade e se comprometeu em
nos abençoar.
1. Nos vs. 4-6 encontramos
o louvor ao Deus Pai, elegendo. É Ele que nos tem abençoado,
nos escolheu e nos predestinou para a adoção de filhos
e nos deu gratuitamente a Sua graça.
2. Nos
versos 7-12 encontramos o louvor ao Deus Filho, redimindo
e remindo.
3. Nos versos 13, 14 encontramos
o louvor ao Deus Espírito, selando.
No verso 3 descobrimos que o louvor a ação de graças
devem ser sempre as grande características da vida cristã.
Se verdadeiramente entendemos o que significa graça e paz
é porque temos grande motivos para levarmos uma vida de louvor
e gratidão. O apóstolo quer que nós saibamos
quem nós realmente somos e as bênçãos
que nós recebemos de Cristo. O grande problema dos cristãos
hoje é a falta e entendimento das doutrinas simples e básicas.
A falta do conhecimento sempre foi o um grave problema para o povo
de Deus (cf. Os 4:6)."Meu povo
está sendo destruído porque lhe falta conhecimento."
Esta bênção que Deus nos dá vem de Cristo
e ela é Espiritual. Antes da fundação do mundo,
antes da criação, antes de o tempo ter começado,
quando somente Deus existia na perfeição do Seu ser,
Deus fez uma coisa. Deus formou um propósito na Sua mente.
Deus nos escolheu em Cristo e nos abençoou como mostra uma
versão mais antiga. Ou seja, tudo o que era necessário
para a obtenção desta bênção já
foi feito uma vez por todas; já aconteceu. O crente não
está nas mãos de um caprichoso destino. Pelo contrário,
mesmo na pior condição, o crente sabe que é
diferente do incrédulo.
Devo confessar que estamos diante de um texto difícil de
explicar. A doutrina da eleição é difícil
de ser entendida em nossa mente.
Esta doutrina levanta algumas perguntas
bem naturais, como:
1. Não fui eu que escolhi
a Deus? A resposta é: sim. Realmente você escolheu
a Deus, e livremente, mas isso só aconteceu porque, na eternidade,
Deus resolveu escolher você primeiro.
2. Talvez você ainda perguntaria:
Mas, não fui eu que me decidi por Cristo? A resposta novamente
é: sim. Realmente você o fez livremente, mas novamente
devo dizer que você foi levado a fazer esta decisão
porque Deus primeiramente tinha decidido em seu favor. Não
é maravilhoso?
Quero apresentar-lhes quatro verdades maravilhosas desta importante
doutrina:
I. A Doutrina da Eleição
é uma revelação divina, e não uma especulação
humana (v.4).
Nós não devemos ignorar esta doutrina porque ela não
foi inventada pelos homens. Nós encontramos a sua descrição
em toda a Bíblia, tanto no Velho quanto no Novo Testamento.
Nós fomos escolhidos por Deus segundo o beneplácito
de sua vontade, ou seja, como resultado da satisfação
do Seu bom prazer, independentemente de toda e qualquer escolha
que nós tenhamos feito.
Embora não entendamos claramente como Deus nos elegeu antes
da fundação do mundo, apesar de nós mesmos,
apesar do fato de que éramos inimigos de Deus, éramos
estranhos a Ele, e até apesar de que odiávamos a Deus,
Ele nos amou primeiro e morreu por nós quando nós
ainda éramos pecadores.
Esta é uma das vantagens de se pregar livro por livro ou,
pelo menos, porções completas. Isso faz com que encaremos
cada declaração na medida em que aparece, venha o
que vier. Por exemplo, você deve orar por mim, porque nesta
série há algumas coisas no capítulo (4:
8-9) que eu não entendo. Da mesma maneira, eu não
teria prazer em pregar sobre este polêmico assunto. Todavia,
a seqüência do texto me obriga a falar e a pregar sobre
este assunto.
Ilustração: Tenho ensinado esta doutrina no
Seminário. Muitos alunos questionam porque seus pastores
não crêem nesta doutrina. Quase sempre faço
uma pergunta: Quantas vezes seus pastores pregaram neste texto de
Efésios? Todos eles, invariavelmente, respondem: nenhuma
vez . Outros dizem: Este texto está na bíblia? Aplicação:
Permitam-me admitir francamente, irmãos. Não devemos
falar sobre este assunto com o espírito argumentativo, nem
com espírito partidário. Não devemos abordar
este assunto com paixão, mas sim com reverência e com
sentimento de adoração. Temos que adorar a Deus pelo
fato de que aqui estamos servindo a Deus, enquanto milhares e milhares
de pessoas não estão aqui.
II. A Doutrina da Eleição
é um incentivo à santidade, e não uma desculpa
para o pecado (v.4).
Esta doutrina nos dá uma forte segurança de salvação
porque aqueles que têm esta certeza de que foram escolhidos,
eleitos, chamados por Deus, certamente sabem que serão guardados
por Deus até ao fim. Por outro lado, esta segurança
não é desculpa para pecarmos voluntariamente.
A santidade fala do estado de pureza interior e irrepreensível,
fala da condição exterior. Perceba que as duas condições
são muito importantes na vida cristã. O homem que
diz que foi eleito, foi salvo, foi escolhido, mas que tem prazer,
e que ama mais o pecado que a santidade, tal pessoa está
dizendo que nunca foi escolhida. E se é um salvo quem assim
se comporta, será disciplinado (cf. Hb 12:6-8).
Muitas pessoas dizem que o salvo é salvo para sempre e então
pintam e bordam, e não têm nenhuma preocupação
com a vida de santificação. Este comportamento não
encontra nenhum apoio na verdadeira doutrina da eleição.
Pelo contrário, a Palavra diz que Deus nos escolheu em Cristo
para que sejamos santos e irrepreensíveis perante ele .
Aplicação: O processo de santificação
começa aqui na terra, e agora. É verdade que aguardamos
o estado em que este corpo corruptível será revestido
do incorruptível, mas, longe de estimular o pecado, a doutrina
da eleição impõe-nos a necessidade de uma vida
santa, porque a santidade é o propósito da eleição.
Ou seja, a única evidência da eleição
é a santidade. Como vai a sua vida?
Meu irmão, se você é salvo, se você tem
certeza disso, então é porque Deus separou você
pelo Espírito Santo para crer na verdade. Você foi
escolhido, foi posto à parte, pelo Espírito, a fim
de crer na verdade. Você não foi separado porque crê,
mas para que pudesse crer. De tal forma que a separação
vem antes da obediência e da fé em Cristo. Somos salvos
para o louvor e glória da graça de Deus.
III. A Doutrina da Eleição
é um incentivo à humildade, e não um motivo
para o orgulho (v.5).
Há quem pense que por fazer parte do povo escolhido de Deus,
por ser crente, significa ser arrogante, orgulhoso. Predestinar
significa determinar antes, declarar de antemão. Isto é,
antes da fundação do mundo, foi plano e propósito
de Deus que certos membros da decaída raça de Adão
e que estavam sob, debaixo da ira de Deus, e que nada mereciam senão
a perdição, se tornassem seus filhos. Ah! Isso deve
nos humilhar e não orgulhar. Eu poderia ter nascido e partir
deste mundo para uma eternidade sem Jesus, onde o fogo não
se apaga e os vermes não morrem.
Ilustração: Várias vezes Deus lembrou
esta verdade ao povo de Israel. Deus diz que a escolha do povo de
Israel não se deveu pela importância daquela nação,
não por ser maior, mas sim porque simplesmente Deus amava
aquele povo. Da mesma maneira ele diz que nós, Igreja, somos
uma raça eleita, nação santa, povo de propriedade
exclusiva de Deus (I Pedro 2:9).
Aplicação: Antes da fundação
do mundo, antes de nós existirmos, e muito mais, antes de
podermos alegar qualquer mérito, Ele nos elegeu e nos predestinou
para sermos Seus filhos. Isso não é maravilhoso? Por
isso a eleição de Deus derruba por terra, aniquila
e abate toda idéia de merecimento, toda a idéia humanista
de boas obras que o homem possa fazer.
Ilustração: Não sou fã dos slogans
de carros, embora o meu carro tenha. Li recentemente um adesivo
que dizia o seguinte: "Dê uma chance para Deus."
Pensei comigo mesmo: 'quem está dando chance a quem.'
Aplicação: No evangelho humanista é
o homem que dá chance para Deus, mas no evangelho bíblico
é Deus quem dá a fantástica chance de conversão
aos pecadores condenados ao inferno. Por isso esta doutrina deve
nos levar a uma sincera gratidão em espírito de adoração
e não ao orgulho.
IV. A Doutrina da Eleição
é um incentivo à evangelização e missões,
e não uma contradição para a pregação
(v.6).
Devemos admitir que, por natureza, o homem não gosta desta
doutrina, porque achamos que é um insulto contra nós
mesmos, não é verdade? O homem, por sua natureza,
odeia esta doutrina mais do que qualquer outra doutrina. Mas notem,
meus irmãos, que esta doutrina tem muito a ver com evangelização
e missões e sem nenhuma contradição.
Muitas pessoas dizem que esta doutrina não dá lugar
a evangelização e missões. Outros, mais desavisados,
e que gostariam de ter arrancadas estas páginas de suas bíblias
dizem: "Se Deus elegeu os salvos, então por que pregar?
Por que evangelizar?" Esquecem-se do mistério que anjos
anelam perscrutar.
Ilustração: Ouvi de um pregador de que se a
doutrina da eleição fosse bíblica, ele deixaria
de pregar. Ele deve ter deixado de pregar há muito tempo.
Aplicação: Não existe nenhuma contradição
na doutrina da eleição com a evangelização
e missões. Pelo contrário, nesta doutrina temos uma
injeção de ânimo, para ir em frente. Da mesma
maneira que o agricultor sabe que Deus dá a colheita do cereal,
mas ele não fica sem arar a terra e sem semear. O fato, meus
irmãos, é que Deus ordenou as duas coisas. Deus escolheu
chamar as pessoas através da evangelização
e missões, através da pregação da Palavra
de Deus. Ou seja, que Deus ordenou o meio e também o fim.
Deus dá a colheita e manda arar a terra e semear.
Esta doutrina tem sido pregada através dos séculos.
Antes que alguém seja levado a desprezar esta doutrina, deixam-me
lembrar-lhes os nomes dos que aceitaram esta interpretação:
Talvez, além dos nomes dos apóstolos Paulo e Pedro,
o nome que mais sobressai antes da Reforma é o nome de Agostinho,
como o astro mais brilhante da Igreja Cristã. Depois, temos
o nome de Tomás de Aquino, a quem a Igreja Católica
chama de Santo Tomás de Aquino. Martinho Lutero também
pregava esta doutrina, João Calvino teve o seu nome associado
a esta doutrina, e que hoje é bem popularizada como doutrina
calvinista. Também Zwinglio, João Knox, Wicliffe e
Farel.
Pensem, ainda, em George Whitefield, o maior evangelista no século
XVIII; pensem em Jônathan Edwards, que é quase universalmente
conhecido como aquele pregador que usava óculos de fundo
de garrafa e que usava sermões lidos. Seu sermão mais
conhecido tinha o seguinte título: Pecadores nas mãos
de um Deus irado. No século XIX, temos os nomes de Charles
Spurgeon, os nomes das grandes sociedades missionárias, como
a Sociedade Missionária da Inglaterra, a Sociedade Missionária
de Londres. Ou seja, os maiores missionários e evangelistas
que o mundo já conheceu, os maiores promotores que a igreja
conheceu, pregavam a bênção da doutrina da eleição.
Realmente, com raras exceções, o conceito da Igreja
Cristã até século XVII era este. Aliás,
devo acrescentar que a doutrina assim chamada "Livre Arbítrio",
foi oficialmente condenada como heresia no Sínodo de Dort
nos anos de 1618-1619. Infelizmente, este sistema doutrinário,
contrário às Escrituras, tornou-se atualmente o ensino
de grande parte das Igrejas dos nossos dias. Somos salvos para o
louvor e glória da graça de Deus.
Conclusão: Antes de concluir
este assunto eu quero que você pense o seguinte: Antes de
começar a argumentar e a fazer afirmações radicais,
precisamos entender que não somos salvos pelo conceito que
nós temos sobre a eleição ou livre arbítrio.
Amém!
Primeiro: Deus nos escolheu
apesar de nós. Nós não somos salvos pelo nosso
entendimento acerca deste assunto, embora o nosso entendimento afete
a nossa doutrina. Mas não isso que nos salva.
Segundo: Podemos estar certos
de que João Wesley, o homem que defendia o livre arbítrio
está no céu, como certos podemos estar de que Jônathan
Edwards e George Whitfield estão lá.
Terceiro: Sou o que sou pela
graça de Deus. Se eu tivesse que acreditar que o meu futuro
depende das minhas decisões, eu tremeria de medo, mas graças
a Deus eu sei que estou em Suas mãos e que Aquele que começou
boa obra em vós, há de completá-la. Examinem-se
pois, se foram chamados. E que o amor de Cristo seja com todos.
Amém.
Quarto:
Se Ele o chamou nada poderá separá-lo do seu amor.
Se Deus, pelo Seu Espírito, tem levado você a reconhecer
que é pecador; se ele o tem convencido do pecado da justiça
e do juízo eterno, se você está suspirando dizendo:
'Será que eu sou um perdido'? Deus está chamando você.
Aceite a Jesus como o seu Senhor e salvador.
Pr.
Jorge Francisco Cacuto
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