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OS
HOMENS PIEDOSOS TAMBÉM SOFREM (Efésios
3:1-7)
1
Por esta razão, eu, Paulo, prisioneiro de Cristo Jesus por
amor de vocês, gentios*
2 Certamente vocês ouviram falar da responsabilidade imposta
a mim em favor de vocês pela graça de Deus,
3 isto é, o mistério que me foi dado a conhecer por
revelação, como já lhes escrevi brevemente.
4 Ao lerem isso vocês poderão entender minha compreensão
do mistério de Cristo,
5 o qual não se deu a conhecer aos homens noutras gerações
como agora foi revelado pelo Espírito aos santos apóstolos
e profetas de Deus,
6 a saber, que mediante o evangelho os gentios são co-herdeiros
com Israel, membros do mesmo corpo, e co-participantes da promessa
em Cristo Jesus,
7 do qual me tornei ministro pelo dom da graça de Deus, a
mim concedida pela operação de seu poder.
Experimentar
dias maus não significa deixar de ser espiritual.
Nada tem deixado tantas vezes perplexo o povo de Deus como a questão
do sofrimento. Por que Deus permite que o Seu povo sofra provações
e tribulações? Por que um servo de Deus que tanto
se distingue de todos os demais, como Paulo, estaria enclausurado
numa prisão? Por que Deus permite isto?
1. Antes de fazermos qualquer abordagem ao tema, é
importante, lembrarmo-nos do contexto do versículo primeiro.
Nós temos ensinado, e os irmãos disso se lembram,
que originalmente a bíblia não teve as divisões
que nos são apresentadas hoje. Essas divisões por
capítulos e versículos é um trabalho que se
seguiu quando a bíblia já estava escrita. Estas divisões
geralmente ajudam, mas no caso do texto em que nós lemos,
somos incapazes de compreendê-lo se não levarmos em
conta o contexto do capítulo anterior, que é o capítulo
2.
Explicação: O verso primeiro nos diz que “por
esta causa”, mas que causa? É evidente a causa que
ele acabou de se referir no capítulo anterior. O apóstolo
se refere ao evangelho de Jesus Cristo, no qual gentios como você
e eu, que estávamos mortos em nossos delitos e pecados, nós
que éramos estranhos às alianças da promessa,
você e eu que vivíamos sem esperança e sem Deus
no mundo, fomos trazidos para perto de Deus, de tal maneira que
não somente somos co-participantes da promessa em Cristo
Jesus, mas somos também co-herdeiros com Cristo.
2. Paulo escreve esta carta com o objetivo de encorajar,
ajudar e animar na fé estes cristãos efésios,
para que olhassem para o prisioneiro de Jesus Cristo, Paulo e para
os seus sofrimentos. Paulo agora nos diz no verso primeiro que:
eu, Paulo, sou prisioneiro de Cristo Jesus por amor de vós
gentios. v. 1.
Aplicação: Temos aqui o exemplo que deve governar
a nossa vida quando enfrentamos situações tormentosas
ou problemas difíceis. Seja qual for o seu problema, meu
irmão, seja de perseguição que você esteja
sofrendo, seja de doença ou dor, ou seja qual for a decepção
– não importa o que seja – aqui está o
modo como se deve encarar o problema do sofrimento e do mal.
Quando penso no sofrimento dos piedosos, penso em pessoas como:
José: Injustamente acusado de adultério e esquecido
numa prisão por + de 2 anos.
Jó: Que sofreu perdas humanas e materiais.
Jeremias: Injustamente condenado numa prisão que ficava
num poço sem água.
Daniel e seus companheiros: Lançados na fornalha ardente
e na cova dos leões.
João: Exilado na ilha de Patmos. Ah, como deve ter
sido difícil suportar o exílio.
Quero apresentar três grandes princípios que devem
governar o nosso pensamento, quando enfrentamos dias tempestuosos:
I. Os piedosos sofrem por causa do chamado
de viver para Cristo (vs. 1-2).
Paulo está dizendo que ele não é um prisioneiro
comum, mas sim, que é prisioneiro de Jesus Cristo. Em outras
palavras, ele está dizendo: eu não sou prisioneiro
de Roma embora esteja em Roma. Não sou prisioneiro do imperador
romano chamado Nero. Ou seja, ele não estava na prisão
por causa da lei romana.
Então, o que realmente colocou Paulo na prisão? Paulo
foi preso porque ele ia por toda a parte pregando o evangelho de
Jesus Cristo. Paulo estava preso por causa da implicação
do chamado de viver para Cristo. Olhe para o que Bíblia diz
em Fp 1:29; II Tm 3:12; Tg 1:2.
Imagino Paulo pensando o seguinte: Se eu fosse o homem que fui no
passado, se eu fosse o mesmo Saulo de Tarso, se eu fosse aquele
fariseu, se ainda fosse mestre da lei judáica, eu não
estaria aqui nesta prisão.
Ilustração: Conversava há algum tempo
atrás com a Missionária Rosemeire. Ela me confidenciou
que ela e a Celinha, sua colega, participaram de uma Conferência
aonde foram encorajadas a encarar que a estada delas em Araçatuba
neste ano não se deve ao fato de atender a alguma necessidade
da família, mas sim, que o Senhor as queria ver aqui neste
ano. Ela, a Meire, confessou então, que aquele encorajamento
tem servido como alento ao seu coração, quando lava
um prato, quando prepara a comida e arruma a roupa.
Aplicação: Meus irmãos, uma vez que
pensamos desta maneira, esquecemos as grades, esquecemos as celas,
esquecemos o desconforto, esquecemos até mesmo a própria
decepção e tudo o mais. Se forem estes os pensamentos
que ocupam a sua mente, eu diria que sua prisão se torna
em palácio, embora esteja sofrendo fisicamente.
II. Os piedosos devem identificar as razões
pelas quais sofrem (vs. 3-6).
Percebemos que Paulo foi capaz de identificar a razão do
seu sofrimento. Ele está sofrendo por causa de Cristo, e
não por sua própria causa. Ele não está
na prisão por algo de errado que tenha feito ou praticado
pessoalmente (I Pd 4:15, 16)
O encorajamento é que não devemos murmurar nem ficar
nos queixando quando sofremos pela causa de Cristo. Mas se você
sofre por alguma burrice, aí você tem motivos de sofrer
mesmo.
1.
Observe que Paulo não pede desculpas por haver praticada
algo de errado que justificasse sua prisão. Pelo contrário,
Paulo reconhece que algo lhe a havia sido confiado. Ele foi feito
despenseiro da graça de Deus. Paulo diz que o mistério
lhe fora revelado(vs. 2, 3).
Mistério, em português, quer dizer algo que é
obscuro, algo que é oculto ou secreto, como por exemplo na
macumba ou na maçonaria, onde há muitas práticas
ocultas. No entanto, não é isso que se pretende dizer
aqui neste texto.
Neste texto e em todo cristianismo, não existe mistérios
esotéricos reservados para uma elite espiritual. É
por isso que nós discordamos das práticas do movimento
chamado G12, por exemplo, que possui alguns mistérios que
não podem ser contados a ninguém. No sentido do NT,
mistério quer dizer uma verdade que está além
da compreensão humana, mas que foi revelada por Deus, e está
disponível para o conhecimento dos salvos. O que Paulo está
querendo dizer é que nós, os cristãos, tanto
os gentios quanto os judeus, somos herdeiros da mesma bênção
em Cristo Jesus.
Aplicação: Portanto, mistério não
quer dizer algo nebuloso ou incerto que nunca se possa ter uma idéia
clara. Mistério é algo que a mente humana não
pode alcançar por seus próprios esforços sem
a iluminação e a revelação do Espírito
Santo. Veja comigo o que a bíblia nos diz em 1 Coríntios
2:12-14.
2. Paulo mostra que a razão
de sua prisão é servir de meio para revelar o mistério
de Deus em tornar judeus e gentios co-participantes da Promessa
em Cristo Jesus.
Aplicação: Que verdade estupenda meus irmãos!
A nossa mente natural é incapaz de julgar as coisas de Deus.
III. Os piedosos sofrem como prova de sua
vocação e discipulado ( v. 7).
Um apóstolo era alguém que fora chamado por Deus,
alguém que andou com Jesus, alguém que teve o reconhecimento
da Igreja primitiva de que estava com Jesus. Ninguém poderia
ser apóstolo, a não ser que fosse chamado desta maneira
única e especial. Aqui o apóstolo nos mostra de que
Deus separou estes apóstolos para serem despenseiros, guardiães,
administradores da mensagem salvadora em Cristo Jesus.
Paulo diz que foi feito ministro do evangelho. Ou seja que ele fora
chamado para atender aos interesses dos outros e em benefício
dos outros. Creio eu que a igreja cristã precisa recuperar
o seu valor nos dias atuais. O fato de que a Igreja tem pouco valor
para o mundo moderno deve-se em grande parte à sua incapacidade
de compreender a origem e o caráter da vocação
ministerial. Hoje em dia, toda idéia de ministério
sofreu rebaixamento.
Ilustração: Algum tempo atrás estava
na fila do banco e me deparei com um senhor que havia feito duas
faculdades (Direito e Ciências Contábeis) e disse:
"Vou montar uma igreja. Não é possível
que nem para pastor eu sirva."
Tais conceitos do ministério estão se tornando cada
vez mais comuns. Contudo estes conceitos são caricaturas
do ministério. O ministro é um arauto das boas novas,
é um pregador do evangelho.
Paulo considera que esta comissão ou ministério é
um privilégio enorme. A mensagem de Paulo e pela qual sofria
é esta: Eu sou um apóstolo chamado por Deus; foi-me
confiada uma dispensação, ou uma administração
da graça de Deus.
Conclusão:
Prezados irmãos, a vida cristã não é
um navegar em mar azul. Todo crente passa por dias difíceis,
não importa o quão santo possa ser. Em verdade, conforme
acredito, quanto mais piedosa a pessoa, mais duros e cruciais serão
os seus dias maus e quanto mais santo, maiores as lutas e sofrimentos.
Experimentar dias maus não significa deixar de ser espiritual.
1.
Precisamos então saber que Jesus não é um salvador
apenas dos “bons dias”. Ele está conosco não
só quando as coisas vão bem, mas igualmente durante
os períodos árduos. Quando as dificuldades nos atingem,
Ele não desaparece dizendo: “Volto quando você
resolver tudo”. Não – Ele é fiel e cuidadoso
durante todas ocasiões. E Ele é atingido em cada um
dos sentimentos que enfrentamos durante os períodos difíceis.
E é a isso que o apóstolo Paulo se refere no nosso
texto.
2. Você pode ter mais dias
maus chegando. Todavia, você só precisa confiar ao
ponto de dizer: “Jesus, lanço agora em Ti todos os
meus cuidados. Sou um herdeiro das riquezas de Deus em Cristo Jesus.
E sei que estas riquezas incluem o suprimento completo de todas
as minhas necessidades físicas”. Você pode crer
que Deus fará isto! Experimentar dias maus não significa
deixar de ser espiritual. Porque de fato, os piedosos também
sofrem.
Pr.
Jorge Francisco Cacuto
[topo]
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