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Como Manter Intimidade
Com Deus Por Meio da Oração
(Efésios 3:14-19)
14
Por esta razão, ajoelho-me diante do Pai,
15 do qual recebe o nome toda a família* nos céus
e na terra.
16 Oro para que, com as suas gloriosas riquezas, ele os fortaleça
com poder, por meio do seu Espírito no homem interior,
17 para que Cristo habite em seus corações mediante
a fé; e oro para que vocês, estando arraigados e alicerçados
em amor,
18 tenham poder, juntamente com todos os santos, para compreender
a largura, o comprimento, a altura e a profundidade,
19 e conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento, para
que vocês sejam cheios de toda a plenitude de Deus.
Ter
intimidade com Deus é ser conhecido por Deus.
Há
ocasiões em que parece que nós, os cristãos,
estamos numa espécie de prisão. Podemos estar enclausurados,
talvez por alguma doença, pelas circunstâncias da vida.
Apesar desta aparente prisão, porém, não significa
que você não poderá fazer nada. Você ainda
poderá orar. Poderá orar por si mesmo, pelos outros,
poderá interceder por alguém. Neste texto, Paulo ainda
continua na prisão e mesmo na prisão, ele se mantém
ativo e ocupado.
Uma das melhores maneiras de descobrir os principais desejos de
um crente é analisar o conteúdo de suas orações.
Todos nós oramos acerca do que nos preocupa. A oração
é o desejo sincero da alma, falado ou não expressado.
Vejamos três meios como podemos manter intimidade com Deus:
I. O valor da postura na oração
(3:14-15).
Ponho-me de joelhos, ou seja, me coloco frente a frente. Este verso
fala da nossa postura na oração. A postura é
um ponto que tem perturbado muitos cristãos e se tem criado
muitos extremos neste sentido. Alguns homens de Deus são
apresentados orando de joelhos, outros orando em pé e ainda
outros prostrados.
Ilustração: A posição normal
entre os judeus quando oravam era colocar-se em pé. Em Lucas
18:11, 13 temos dois homens: um fariseu e o outro publicano,
e os dois oravam em pé. Ajoelhar-se, portanto, era uma prática
não comum.
A Bíblia não define nenhuma regra a respeito da posição
que devemos adotar quando oramos. É possível orar
ajoelhado, em pé, sentado, e até mesmo deitado, embora
uma posição desleixada do corpo, quando se ora, não
seja uma boa recomendação. Procure sempre uma posição
em que seu corpo fique o mais confortável possível
e a sua mente o mais sóbria possível. Isso vai evitar
dormir durante a oração, por exemplo.
Há dois extremos neste sentido que devemos observar e evitar:
1. O formalismo. Ensina que se
você não se ajoelhar, não estará orando
de modo nenhum.
2. O libertino. Assim como é
possível exagerar no formalismo, também é possível
exagerar no princípio da liberdade, dando lugar à
frouxidão, relaxamento, levando um modo de orar totalmente
indigno de Deus.
Aplicação: O princípio importante neste
sentido, é que o que importa não é a postura
ou a atitude por si só, mas o que esta postura representa
diante de Deus. Dobrar o joelho é uma atitude de reverência
diante de Deus. Indica uma atitude de culto, de adoração
e louvor. Orar ajoelhado significa declarar a Deus que eu não
tenho ninguém superior a mim que não seja Deus somente.
O orar com as mãos levantadas para o judeu significava demonstração
da incapacidade de quem orava e confiança em Deus que podia
encher as suas mãos.
O problema é que é possível cair de joelhos
ou com as mãos levantadas mecanicamente, quando certas palavras
são pronunciadas, mas estar o coração longe
de Deus. Meus irmãos, confiança não é
atrevimento. Falo isso porque muitas vezes pensamos que a marca
registrada da espiritualidade é orar usando os chavões
que aprendemos, seja a entonação da voz, ou a postura
que nos foi imposta. Não é isso que a bíblia
nos ensina.
II. O Conteúdo da oração
(3:16-17).
Gosto de pensar na petição do apóstolo como
sendo uma escadaria pela qual se sobe, cada vez mais alcançando
os degraus de cima. Paulo nos ensina que a nossa oração
não deve começar com a petição. Como
tem crente pedinte. Na nossa oração devemos primeiramente
prestar culto a Deus, louvá-lo com ações de
graça, como na ilustração da mão que
usamos em Estudos Básicos: confissão, louvor...
1. Paulo orou pedindo que os
crentes fossem fortalecidos (v. 16). Paulo suplica a Deus,
para que, segundo a riqueza da sua glória, conceda que sejais
fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem
interior (v. 16). Ou seja, Paulo está preocupado não
com as circunstâncias, mas com o que é espiritual.
Olhe no texto, e observe as coisas pelas quais Paulo não
está pedindo. Paulo não está pedindo que Deus
mude as circunstâncias. Que lição para nós!
Quando nós oramos o que é que rogamos uns pelos outros?
Quando sabemos que outros estão com problemas e em dificuldades,
qual é a nossa petição a favor deles, qual
é o caráter de nossa intercessão? Paulo estava
na prisão quando fez esta oração e com certeza
ele orava pedindo que ele mesmo e também os efésios
tivessem a liberdade de poder sair da prisão e pregar o evangelho,
mas não era isso o que ocupava lugar central em sua vida.
Paulo também não orou fazendo aquela oração
por atacado, pedindo que Deus abençoasse a todo mundo. Não.
Aplicação: O Cristão não deve ficar
surpreso diante das circunstâncias em que vive. Não
deve ficar preocupado com a destruição dos seus inimigos,
ou com a solução de suas dificuldades e problemas.
Antes, o apóstolo pede que aqueles irmãos fossem fortalecidos.
Em outras palavras, o modo cristão de lidar com os problemas
da vida não é, em primeiro lugar, fazer algo acerca
deles, mas tratar as nossas condições espirituais
no homem interior.
Ilustração: Atos 4: 23-31 (NVI).
Aplicação: Nossos corações também
precisam ser fortalecidos hoje. A batalha principal da vida cristã
é nos livrarmos do ego. A maior batalha na vida cristã
é nos livrarmos do ego e do amor a nós mesmos, e crescer
no amor a Cristo.
2. Paulo orou para que os crentes
fossem arraigados no amor (v. 17). O amor deve ser o elemento
fundamental para tudo o que nós fazemos em nossas vidas.
Como um carvalho cujas raízes se espalham na terra e que
é difícil de arrancar, o amor é a única
coisa que edifica a vida cristã e que a torna parecida com
a vida de Cristo. Como cristãos, nós fomos destinados
a sermos semelhantes a Cristo.
Ilustração: Alguém disse com muita sabedoria
de que a fé liga o homem a Deus, mas o amor torna o homem
semelhante a Deus.
Unicamente o amor, irmãos, nos dá poder e força
na vida cristã. Vemos isso em ação na história
de Jacó, no VT. Jacó foi ludibriado por Labão,
seu sogro, várias vezes. Seu salário foi várias
vezes alterado. Trabalhou sete anos para que tivesse a permissão
de se casar com Raquel, sua esposa. Ele foi enganado e teve que
trabalhar mais sete anos, mas olha o que nós lemos em Gn
29:20.
Sete anos parecem uma eternidade de tempo quando alguém está
esperando alguma coisa. Um estudante que tem fazer um curso de sete
anos, acha quase que interminável, ou se alguém está
esperando um dinheiro de indenização que vai durar
sete anos, parece que não vai viver até lá.
Mas a Jacó o trabalho e a espera por Raquel, durante sete
anos, parecem apenas alguns dias. A explicação está
no seu amor a Raquel. O amor muda tudo. O amor parece ter o poder
de cancelar o tempo.
Aplicação: O amor tem a sua própria
cronologia. Não entra em conta o preço, nem o tempo.
Os segundos, os minutos, as horas, os dias, meses e anos parecem
algo inteiramente artificial. O amor é a única razão
para se envolver no serviço cristão. É o único
motivo para procurarmos viver em santidade sem me importar com meus
padrões, ou pretensos padrões.
III. O Objetivo da oração
(3:18-19).
Confesso que abordo este tema com temor e tremor. Uma das mais altas
conquistas na vida cristã é conhecer o amor de Cristo
e isso exige intimidade. Ninguém chega de súbito ao
ponto mais alto do conhecimento do amor de Deus se não começar
a escalar logo aí mesmo, onde se encontra.
Então devemos abandonar imediatamente as partes baixas e
planas da vida cristã, para que sejamos tomados da plenitude
do amor de Deus.
Meus irmãos, eu creio que o maior perigo hoje em dia que
o povo de Deus enfrenta está em gastar tanta força
organizando atividades. Nos concentramos pouco pensando no amor
de Cristo. Fazemos da atividade um fim em si mesma. Esquecemos que
o homem que conhece o amor de Cristo em seu coração
pode fazer muito mais em uma hora do que o homem ocupado pode fazer
num século. Queridos, muitas vezes desperdiçamos o
nosso tempo, permitimos que outros interesses roubem o nosso desejo
de conhecer mais e mais o amor de Deus. Alguém disse com
muita sabedoria e propriedade de que “a perfeição
do homem consiste em ser conhecido por Deus”. George Müller
é este homem perfeito.
George Müller fundou e dirigiu um orfanato na Inglaterra por
muitos e muitos anos. Ele é tido como exemplo de confiança
de como Deus sustenta a sua obra. George Müller gastava horas
e horas em oração. A primeira coisa que ele sempre
fazia quando orava era assegurar-se da presença de Deus.
Ele não apresentava as suas petições enquanto
não percebia a presença de Deus no momento da oração.
George Müller fez o que fez, não porque era um grande
homem de fé, mas porque de fato ele conhecia a Deus e falava
com Deus como alguém que o conhecia. Um pai das missões
modernas disse a respeito de George Müller que, quando ele
orava, o céu ficava em silêncio. Ter intimidade com
Deus é ser conhecido por Deus.
Cada um de nós sabe individualmente quais obstáculos
estão entre você e Deus e que se tornam em empecilho
para sermos conhecidos de Deus e Deus conhecido a nós. Expulsemos
estes obstáculos, mesmo que sejam legítimos. Mas se
você tem certeza em seu coração de que estas
coisas são um empecilho, elas têm que sumir. Peça
a Deus coragem para expulsá-las de seu coração.
Ter intimidade com Deus é ser conhecido por Deus. Chega meus
irmãos de religião de fundo de quintal. Chega da religião
de 190. Para muitos, Deus é aquela Pessoa que só se
busca numa emergência; pode-se discar determinado número,
o número de pronto-socorro. Não, não é
isso. A fé cristã não é um fundo de
reserva a que você possa recorrer. Não é um
pronto-socorro para a qual você possa telefonar pedindo ajuda
somente na hora da necessidade. Nós precisamos ser conhecidos
diante de Deus, porque ter intimidade com Deus é ser conhecido
por Deus.
Deus seja louvado. Amém.
Pr.
Jorge Francisco Cacuto
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